domingo, 1 de maio de 2011

Paula - Paula (2010)



Assistir e escrever sobre esse "filme" não é uma tarefa muito fácil para dizer a verdade. Se você espera algo, seja lá o que for caia fora, Paula-Paula não pretende lhe dar logica ou explicações. O diretor Jesus Franco logo anuncia: essa pelicula foi uma das mais estranhas que já realizou. Algumas pistas são dadas: na introdução é dito que Paula-Paula é uma experiência audiovisual. Ou seja não é filme. E isso é verdade. Os indícios levam a crer que nada do que parece ser, é realmente, ou sendo mais claro, do meu ponto de vista as imagens apresentadas podem não corresponder a uma realidade física. Se visto do ponto de vista "mundo físico", a opinião seria de algo inútil, e sem significado. É certo, a grande maioria das pessoas irá repudiar e destinar Paula-Paula à lixeira. Franco não se importa... ele põe pra fora sua catarse sem expectativa em quem assiste. Com seus 80 e poucos anos, ele dá a luz mais uma vez, ao seu pequeno feto, e o aceita com todos os seus defeitos.

Mas vamos em frente, é necessário descortinar a coisa. Pensando assim, deixei o filme entrar como um sonho/pesadelo. Essa foi a chave que encontrei para ser "absorvido" pela experiência audiovisual. Cabe saber que sonhos não possuem a logica que queremos (ou melhor que nosso egod eseja), eles apenas se apresentam da forma que são, sem controle, sem logica ou receita de bolo. Paula-Paula é isso. Entrei no filme e tive a sensação de que tivesse tomado umas. Essa foi a magia de Franco. Outra pista para o conteúdo é lançada no começo: é a versão de Jesus Franco para Dr Jekyll and Hyde. Paula-Paula, é o binário de uma só Paula. Duas Paulas, são uma só.

Tudo começa pelo fim. nas primeiras cenas Paula, por profissão uma dançarina erótica, está em estado neurótico avançado, após o que parece ser o cometimento de um crime de assassinato. É então investigada pelo desaparecimento de sua amiga/amante Paula (também dançarina). Os depoimentos da primeira Paula são confusos, o que não deixa claro se a segunda Paula exisitiu, ou se é uma faceta inconsciente de sua personalidade.

Como acontece muitas vezes em sonho, a "delegada" e seu assistente em nada se parecem com suas representações usuais: nada de uniformes, nada de compostura, mas sabe-se que eles detém essa autoridade.

A neurótica Paula, despida de suas roupas e sem sensualidade alguma, tenta seduzir o assistente. É ai que começamos a perceber, que isolada de sua contraparte (Paula 2), seu comportamento é estéril. Seu ego rompeu com a segunda dançaria que havia dentro dela. Rompeu com sua natureza sensual. O corpo seco, não é mais a promessa do jardim das delícias, mas apenas o naco de carne estragada entregue aos cães. Paula 1 está fragmentada. É um fruto com muita casca e sem sumo, tentando se oferecer sem sucesso para um pobre coitado.


A medida que o depoimento avança as brumas de Paula 2 começam a surgir. Paula 2 aparece com uma sensualdiade auto-suficiente.,e uma dança interminavel em um jogo de espelhos. A trilha do começo ao fim, é de um jazz maníaco de Friederich Gulda. As nuances da mistura da trilha com a dançarina vão do levemente divertido até o semi-mórbido.

A fita então entra em ritual. As duas Paulas vãos se reconhecendo aos poucos. Corpos. A esbelta e morena Paula 1 em contraste com a roliça Paula 2. A narrativa não é linear... Franco celebra o extase total em camera lenta... abusa passo a passo, em um jazz cenográfico insano, de bocas e humores, saliva, os corpos entrelaçados, boceta com boceta em pura celebração e resgate do encontro com si mesma. O resutlado é hipnótico, perde-se a noção do tempo infindável que a camera desliza, o tempo o espaço, derretem e só há o desejo de uma pela outra. Elas se bastam e se complementam.

Franco nos adverte do perigo da cisão entre o ego e nossa verdadeira natureza submersa. E faz isso tragicamente. com o sangue simbólico. O fim de Paula 2. A morte da alma dançarina que existe em cada ser humano. essa é a escolha fatal que Franco, o amoral, nos propõe, com mais de 80 anos, no final de sua jornada.


TORRENT

Ripado do DVD, qualidade excelente. Pegar ou largar, pouquíssimos seeds.
Infelzimente não tem a tradução em PTB, mas cá entre nós, com áudio em espanhol junto com legendas em inglês, e ainda assim não rolar... melhor você pegar uma fita dublada da disney.

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